Futebol em quatro atos

ato I – NO PALCO

A bola veio espirrada, meio dividida com o zagueiro. Ele segue na jogada e num segundo se esparrama no chão, tornozelo atingido sem dó pelo bico da chuteira adversária. A partida não tinha nem 15 minutos jogados e já era a terceira pegada que levava no mesmo pé direito, que mal se recuperara de um entorse acontecida algumas rodadas atrás. Continue Lendo “Futebol em quatro atos”

A futebol acabou. Viva o futebol

Ronaldinho no atabaque. O que restou ao Brasil no encerramento da Copa 2018 (Foto Damir Sagolj/Reuters)

A Copa do Mundo na Rússia terminou, o Brasil ficou pelo meio do caminho e já estamos vivendo novamente nossos torneios nacionais. Muita falação sobre a atuação da Seleção, sobre a convocação do Tite e o teatro do Neymar. Muito jornalista tentando explicar tudo isso e pedindo a permanência do técnico para a próxima Copa. Continue Lendo “A futebol acabou. Viva o futebol”

O ritmo de chumbo do Divino

joao_cabral_ademir_da_guia
O poeta e o craque. Uma ode a Ademir da Guia, o Divino

Poesia e futebol sempre dá uma tabelinha encantadora. Quem viu Ademir da Guia jogar não tem a menor dúvida de ter presenciado uma das maiores jóias da história do futebol. E só uma jóia desse quilate pra inspirar o grande poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999), poeta pernambucano que chegou a jogar e ser campeão no juvenil do Santa Cruz. Ele escreveu alguns poemas sobre futebol e Ademir da Guia é um deles, publicado no livro Museu de Tudo, de 1975. Continue Lendo “O ritmo de chumbo do Divino”

Os caras mais durões

brigoes_lovatopor Cláudio Lovato Filho* | ilustração Francisco Milhorança

Ele estava refletindo sobre caras durões. Os caras mais durões que ele já tinha visto em campo na sua vida. Seus ídolos. Seus grandes heróis. Continue Lendo “Os caras mais durões”

Faísca

futebol_cronica_ilustracao_faisca
Dinho era um negro alto e forte, bastante popular entre os moradores da Vila. Boa praça, fugia de polêmicas e discussões. Para ele tudo era muito simples, preto no branco. Não havia espaço pra nuances. A pessoa era honesta ou desonesta. Polícia era polícia, bandido era bandido. O sujeito era trabalhador ou vagabundo. Rico era rico, pobre era pobre. Todo advogado era patife e qualquer político um ladrão. Homem ou mulher (se bem que não se importava com gays ou lésbicas. Não admitia mesmo era bissexualismo, gostar de homem e de mulher).

Continue Lendo “Faísca”