Na marca da cal

Pegou a bola das mãos do juiz e a ajeitou na marca. Depois de muita discussão, empurrões, ameaças, o pênalti foi confirmado. Aos 43 minutos do segundo tempo, agora era ele e o goleiro. Finalmente tinha a real oportunidade de ganhar seu primeiro título profissional, justamente no ano em que anunciara sua aposentadoria. E num time que jamais conquistara um título tão importante. Continue Lendo “Na marca da cal”

Ao rés do chão


“Uma bola enfrenta o limite “real” do chão

Balizas nascem do gol como telas contíguas a

qualquer escala do corpo humano,

rodeadas por eróticas redes

Pernas eloquentes tocam o lado escuro

dos mármores lunares

Esta é a caça recíproca dos deuses que mordem;

deuses publicitários de si próprios

Este é o arriscado balé dos lumes babilônicos,

das luas improváveis de mármore

O Olímpio trágico de um Maracanã é o nosso laboratório ancestral

Somos todos filhos do dilúvio

Rola a esfera na terra sintética do espetáculo;

órbita em permanente assunção

ao rés do chão”

Augusto Guimaraens Cavalcanti
(da coluna Cultura, no CGN)

Foto: Francisco Milhorança®

Futebol em quatro atos

ato I – NO PALCO

A bola veio espirrada, meio dividida com o zagueiro. Ele segue na jogada e num segundo se esparrama no chão, tornozelo atingido sem dó pelo bico da chuteira adversária. A partida não tinha nem 15 minutos jogados e já era a terceira pegada que levava no mesmo pé direito, que mal se recuperara de um entorse acontecida algumas rodadas atrás. Continue Lendo “Futebol em quatro atos”

A Copa acabou. O futebol também. Viva o futebol

Ronaldinho no atabaque. O que restou ao Brasil no encerramento da Copa 2018 (Foto Damir Sagolj/Reuters)

A Copa do Mundo na Rússia terminou, o Brasil ficou pelo meio do caminho e já estamos vivendo novamente nossos torneios nacionais. Muita falação sobre a atuação da Seleção, sobre a convocação do Tite e o teatro do Neymar. Muito jornalista tentando explicar tudo isso e pedindo a permanência do técnico para a próxima Copa. Continue Lendo “A Copa acabou. O futebol também. Viva o futebol”

O ritmo de chumbo do Divino

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O poeta e o craque. Uma ode a Ademir da Guia, o Divino

Poesia e futebol sempre dá uma tabelinha encantadora. Quem viu Ademir da Guia jogar não tem a menor dúvida de ter presenciado uma das maiores jóias da história do futebol. E só uma jóia desse quilate pra inspirar o grande poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999), poeta pernambucano que chegou a jogar e ser campeão no juvenil do Santa Cruz. Ele escreveu alguns poemas sobre futebol e Ademir da Guia é um deles, publicado no livro Museu de Tudo, de 1975. Continue Lendo “O ritmo de chumbo do Divino”