Preto e branco em cores. A magia do Canal 100

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Ligar a TV e topar com a transmissão ao vivo de uma partida da Série C do Campeonato Brasileiro hoje não surpreende. Em tempos de Copa do Mundo, então, futebol 24 horas por dia.

Mas houve uma época em que ou você ia ao estádio, ou colava o ouvido no rádio (ou os dois ao mesmo tempo). Na televisão, apenas as mesas redondas e um videotape no final da noite (que, segundo Nélson Rodrigues, era burro. Mas isso fica para um outro post).

O mais sensacional era ir ao cinema e assistir às projeções do Canal 100 antes do filme principal. A telona dando uma proximidade e uma dimensão heróica, a música tema que colava na hora e se tornou hit do futebol nacional e grande marca do programa.

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O diretor do Canal 100, Carlos Niemeyer, em ação no Maracanã. (Foto Canal 100)

Para quem não podia/não conseguia assistir a um jogo ao vivo no estádio, aquelas filmagens se encarregavam de colocar a todos na arquibancada ou na geral – aliás, o ponto preferido do Canal 100 na sua busca por personagens do evento.

Sim, porque não se tratava apenas do jogo no gramado. Carlos Niemayer, o dono da bola do Canal 100, percebeu que uma partida de futebol envolve muito mais que apenas 22 jogadores empenhados na busca do gol.

Alegria, tristeza, identidade, visual, o futebol é a oportunidade do sujeito se sentir devidamente representado na vida, numa comunhão com as cores de seu time que não se rompe nem nas piores derrotas.

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Arquibaldo e seu inseparável rádio portátil. Imagem símbolo de uma época (Foto Canal 100)

E o Canal 100 dava ao torcedor – ao geraldino e ao arquibaldo – o espaço e a reverência devida. Figuras extintas nas novas arenas, esse típico torcedor perdeu seu lugar para tolos narcisistas fantasiados, que as emissoras inutilmente tentam elevar à categoria de torcedor, como se o futebol fosse um baile de fantasia sem graça.

O Canal 100 parou com as filmagens em 2000, nos tornando órfãos de um futebol que hoje passeia em nossa memória. A alma brasileira se quedou capturada naquelas imagens em preto e branco, um tempo que parece muito mais distante do que realmente é.

Sintam o clima do FlaXFlu de 1972, final da Taça Guanabara.

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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