A alegria dos Campeonatos Estaduais

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1977. Em melhor de três partidas, o Corinthians venceu a Ponte Preta e saiu da fila de 22 anos sem títulos importantes (Foto Arquibancada Corinthiana)

Hoje em franca decadência de qualidade e popularidade, os Campeonatos Estaduais já foram os principais torneios nacionais até pouco mais de uma década atrás. Os mais jovens, que sonham com Champions League ou Libertadores, não podem imaginar o que significava ser campeão de seu Estado. Era mais importante que a própria Libertadores ou campeonato nacional (fosse ele Roberto Gomes Pedrosa, Taça Brasil ou mesmo o Brasileirão).

Não vou fazer aqui apologia dos Estaduais. Eles ficaram no passado e hoje, da maneira que são encarados e disputados, só servem pra fazer a alegria de cartolas. Mas a história desses torneios é sensacional, com jogos marcantes e dramáticos, seja pela rivalidade local ou mesmo pela qualidade do futebol jogado na época.

O ano de 1977 foi muito interessante, pois alguns times de tradição que venceram seus estaduais quebraram ali um longo jejum sem títulos. O Vasco no Rio de Janeiro (7 anos), o Grêmio no Rio Grande do Sul (7 anos) e o Corinthians em São Paulo (23 anos).

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Roberto Dinamite passa por Adílio. O vascaíno converteria o pênalti decisivo que daria o título depois de 7 anos

O Vasco era um timaço e venceu invicto os dois turnos, eliminando uma final e acabando com uma sequência do Fluminense, que havia vencido os dois torneios anteriores com a Máquina comandada por Rivellino e Paulo César Caju.

O mais emocionante e polêmico foi a vitória do clube paulista. Emocionante pelo tempo do jejum e por derrotar uma equipe tecnicamente superior, a Ponte Preta de Campinas. Polêmico devido à expulsão tola de Ruy Rei, centroavante campineiro, aos 15 minutos do terceiro e último jogo da decisão, que prejudicou muito a Macaca. Mais pra frente, ele seria contratado pelo Corinthians. (Hum… mas isso fica para um outro post).

O lance dramático ficou por conta do falecimento do filho do então técnico do Corinthians, Oswaldo Brandão, em meio aos jogos finais. Mesmo diante dessa tristeza se manteve à frente do comando do time. Ao apito final, os jogadores correram todos ao banco de reservas para homenageá-lo.

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André, voando após marcar na final. Contundido com a queda, deixou o campo pra virar o herói do título, acabando com a série de vitórias coloradas (foto Armênio Abascal Meireles/Ag. RBS/BD)

O Rio Grande do Sul, no entanto, seria o palco do lance mais curioso daquelas finas. No GreNal decisivo, o centroavante André Catimba, do Tricolor, foi comemorar seu gol com a costumeira cambalhota no ar. Em pleno voo sentiu uma distenção e não conseguiu fazer o movimento. Desabou no chão. Contundido, foi substituído, mas no final seu o gol deu o título ao Grêmio, encerrando a hegemonia colorada naquela década. Veja o vídeo.

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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