Geraldino credenciado e fanático

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1972, Pacaembú. Corinthians no gramado para mais um jogo. Época de torcedor de carteirinha

No começo dos anos 70 a Federação Paulista de Futebol decidiu cadastrar menores até 12 anos para entrarem de graça nos estádios – geral e arquibancada. Uma vez cadastrado, bastava apresentar uma carteirinha emitida pela própria entidade na entrada do estádio e, voilá, catraca liberada.

Fiz um barulho danado por causa disso em casa. Perturbei tanto minha mãe pra fazer essa bendita carteirinha que ela não teve opção. Me levou pra tirar fotos e depois depois pegamos um ônibus até a sede da Federação, que ficava no começo da Av. Brigadeiro Luiz Antonio, próximo ao Centro.

Porém, erramos a parada e descemos muito antes. Caminhamos um bocado até chegar ao prédio da FPF. Minha ansiedade transformou essa caminhada em uma verdadeira maratona.

Mas depois, só alegria. Pense num garoto feliz ao sair do prédio com aquele tesouro nas mãos. Estava com 10 para 11 anos e fiz valer a pena o esforço da minha mãe (naqueles tempos difíceis, até a passagem de ônibus fazia diferença). Usei-a até o último instante de validade.

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Minha carteirinha original da FPF. Meio detonada – 2 anos de muito uso – hoje fica guardada em meio às lembranças mais caras

Com ela fui a muitos jogos (nem precisava ser jogo do Corinthians). Bastava algum adulto disposto a ir e me levar. Meu maior companheiro foi meu primo Zé Antonio, corinthiano formado em casa, salvo por meu pai e meu irmão do risco eminente de se tornar palmeirense (para desespero de sua família, toda alviverde).

Naquela época ele frequentava muito a nossa casa e assistir a um jogo era muito mais simples e tranquilo que hoje em dia. Muitas vezes a decisão de ir era tomada uma hora antes do início da partida.

Pra ajudar, morávamos estratégicamente no meio do caminho entre o Pacaembú e o Morumbi. Em seu Kharman Ghia branco chegávamos rapidinho em qualquer um dos dois.

Foram muitas e muitas partidas na arquibancada e na geral (como eu não pagava, o bolso de quem me levava escolhia o setor). Isso com o time encarando um jejum brabo de títulos. O que importava era estar lá. Momentos que não se apagam.

Com dois golaços de Rivellino o Corinthians venceu a Portuguesa no Pacaembú. Eu estava lá, no Tobogã (geral).

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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