Clube Atlético Mineiro, o Imortal do Gelo

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Em campo na Alemanha. Do calor tropical para o frio alemão. Repare no detalhe da bola e do gramado, totalmente cobertos de neve

Em 1950, enquanto recolhíamos os cacos do orgulho destroçado pela derrota para o Uruguai no Maracanã, três alemães representando a sua Federação chegavam aqui em busca de um time brasileiro para disputar uma série de amistosos na Alemanha e em alguns outros países.

Diante de um desinteresse dos times do Rio e de São Paulo – os principais centros do futebol na época – acabaram em Minas Gerais e foram bater na porta do Atlético Mineiro. Ao aceitar o convite, o Galo se converteu na primeira equipe profissional brasileira a excursionar para o exterior.

Embarcaram em 23 de outubro, chegando na Alemanha no dia 27. A partir de 1º de novembro, no espaço de pouco mais de um mês, o time disputou 10 partidas em cinco países diferentes, em campos algumas vezes totalmente cobertos de neve.

O saldo bastante favorável – 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas –causou impacto nos europeus e enorme euforia no retorno ao Brasil.

Haveria ainda dois outros jogos, um na Inglaterra e um na França, que foram cancelados por absoluta exaustão do elenco, desgastado pela agenda apertada, pelo frio e pela saudade de casa.

O final foi meio tumultuado. Houve um desentendimento com os empresários europeus que não repassaram os valores devidos ao clube. Sem dinheiro, apelaram à embaixada brasileira em Paris, que custeou a volta de uma parte da delegação.

Para compensar os apuros do retorno, a chegada no Brasil – primeiro Recife, depois Rio, antes de finalizar em Belo Horizonte – foi toda marcada por homenagens, faixas e condecorações. Com o país ainda lambendo a ferida da Copa do Mundo, o sucesso do Galo nos campos europeus virou um fato épico.

Apesar de terem sido apenas partidas amistosas, a excursão entrou para a história do clube – até faz parte da letra do seu hino – e virou filme em 2015. Um documentário com depoimento de Walter José Pereira, o Vavá, último remanescente daquele time, que relembra todos os desafios e dificuldades que tiveram nos jogos e nas viagens.

E deixa claro o seu orgulho de ter participado dessa precária aventura, representando o país numa época romântica do futebol, quando vencer um Estadual equivalia a uma Copa do Mundo.

 

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A recepção na volta ao Brasil. (Foto Eugenio Silva/O Cruzeiro/Arquivo Estado de Minas)

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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