Fio Maravilha, nós gostamos de você (parará pá pá parára…)

Jorge Benjor, então apenas Jorge Ben, foi ao Maracanã num 15 de janeiro de 72 assistir Flamengo X Benfica (POR), válido por um Torneio Internacional de Verão (que ainda tinha o Vasco como outro participante). Rubro-Negro doente, não imaginava que ali, no então maior estádio do mundo, sairia contagiado com a inspiração para compor um dos seus maiores sucessos e que se tornaria um clássico da MPB.

Naquele sábado à tarde, Fio, um atacante controverso, misto de craque com peladeiro, adorado pela torcida, começou o jogo na reserva. No segundo tempo entrou no lugar de Arílson, ponta-esquerda, e num de seus momentos-craque, fez uma jogada celestial – enfileirou a zaga portuguesa – e anotou o gol da vitória.

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A jogada que inspirou a música. E os dois craques juntos, Fio e Jorge Ben (foto compartilhada de http://www.maiortorcida.com)

A jogada fulminou Jorge Ben lá na arquibancada, e o inspirou a compor Fio Maravilha, um hino onde narrava toda aquela jogada e outras maravilhas do atacante. Foi um sucesso, vencedor do Festival Internacional da Canção daquele ano, na voz de Maria Alcina. E alçou o jogador à condição de estrela no país.

Anos mais tarde Fio abriu um processo na Justiça contra o compositor pedindo direitos autorais por ser citado na música. Jorge Ben alterou a letra para Filho Maravilha e, desgostoso, deixou até de cantá-la.

O jogador perdeu o processo e tempos depois se disse arrependido, admitindo ter se deixado levar por um amigo advogado. Em um programa para a televisão, muitos anos depois, pediu desculpas e tentou uma reconciliação com Benjor. Reconheceu a beleza da homenagem prestada a ele por meio daquela música, homenagem que nem gigantes do futebol conseguiram ganhar.

Fio jogou 8 anos no Flamengo – de 1967 a 1973 – depois andou por alguns times menores. Foi para os Estados Unidos, aonde encerrou a carreira depois de jogar por alguns times locais. Ficou nos EUA onde vive até hoje, em São Francisco, Califórnia.

Depois de pendurar as chuteiras trabalhou até em pizzaria. Sua marca registrada, os dentes todos para a frente, ficaram no passado, assim como as glórias com a camisa rubro-negra. Mas é só ouvir Fio Maravilha que imediatamente nos lembramos daquele atacante desengonçado, feio, mas que balançava as redes e levantava a galera.

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Fio, pôster na Placar e já aposentado, em São Francisco. Abaixo, LP de Jorge Ben com a música

 

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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