O time que desbancou a dupla GreNal

Quando se fala de futebol gaúcho é inevitável lembrar de Grêmio e Internacional. Juventude e Caxias, ambos de Caxias do Sul, de vez em quando se inserem na conversa. Mas um outro clube da capital fez história, interrompendo 13 anos de seguidas vitórias de Inter ou Grêmio. 

Grêmio Esportivo Renner foi fundado em 1931 e tinha em suas linhas funcionários de um grande grupo industrial de vestuário, o A.J. Renner.

Renner campeão invicto de 1954 (Foto: Reprodução/ SporTV)

Ascendeu à primeira divisão gaúcha apenas em 1944. Dez anos mais tarde entrou para a história ao interromper uma sequência de 13 anos de Inter e Grêmio, vencendo o torneio regional de forma invicta, com direito a vitórias nos dois turnos contra os grandes da capital. No total, 15 vitórias e 3 empates. Para se ter uma noção da façanha, depois desse título, somente em 1998 uma outra equipe que não Inter ou Grêmio sagrou-se campeã gaúcha. Foi o Juventude.

O Renner contava com figuras que se tornariam famosas no cenário nacional. Ênio Andrade, zagueiro que viera do Inter, e que passou a volante no alvirrubro. Como jogador defenderia ainda o Palmeiras, o Náutico e o São José/RS. Foi campeão Pan-americano em 1956, pelo Brasil. Teve uma brilhante carreira também como técnico, dirigindo grandes equipes nacionais. Foi três vezes campeão brasileiro – Inter, Grêmio e Coritiba.

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Ênio Andrade: volante do Renner e anos depois, treinador vitorioso

Outro destaque foi Valdir de Morais, um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro. Defendeu a meta do Palmeiras, na época da Academia, nos anos 60 — que contava com Dudu, Ademir da Guia, Julinho Botelho, Djalma Santos, entre outros. Depois tornou-se preparador de goleiros, um dos melhores, fazendo parte da Seleção de 82.

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Valdir de Morais treinando os goleiros da Seleção, em 1982. No detalhe, goleiro da Academia

Uma história curiosa cerca o atacante Breno de Mello, artilheiro em 54 e ídolo da equipe nos anos 50. No ano de 1958, Breno jogava pelo Fluminense do Rio, quando recebeu convite para atuar em Orfeu Negro, dirigido por Marcel Camus, baseado numa peça de Vinícios de Moraes. O filme ganhou prêmios internacionais com Breno no papel principal, Orfeu.

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Breno de Mello com a camisa do Renner e em cena de Orfeu Negro

Em 1959, problemas financeiros no Grupo Renner determinaram a extinção da equipe, quando muitos apostavam num crescimento ainda maior. A origem no chão de fábrica fez do Renner um time muito popular. Até hoje há muitos fãs do time, que se reúnem regularmente em Porto Alegre pra relembrar as façanhas do alvirrubro.

O documentário Papões de 54, de Alexandre Derlam narra a grande conquista desse simpático time de operários, que marcou no futebol gaúcho. Veja abaixo um pouquinho dessa história.

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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