A noite da grande videocassetada de Rivellino

Rivellino_Ramirez_Brasil_Uruguai_1976
Brasil x Uruguai, 1976. O lateral Ramirez dispara atrás de Rivellino. Cena antológica.                 (Foto U. Dettmar/Folha Imagem)

Em 28 de abril de 1976, Brasil e Uruguai se enfrentaram no Rio de Janeiro pela Taça do Atlântico. Criado em 1956, era uma disputa entre as seleções do Brasil, Argentina e Uruguai. Não fez tanto sucesso, tendo apenas mais duas edições, 1960 (quando passou a incluir o Paraguai) e 1976. O Brasil venceu todas elas. No entanto, mais do que as vitórias brasileiras, essa disputa é lembrada por um acontecimento ruim e ao mesmo tempo hilário.

Nessa edição de 76, os jogos eram todos contra todos, ida e volta. Contra o Uruguai, no Maracanã, o Brasil vencia de virada por 2×1 quando, no finzinho, Zico fez fila driblando vários adversários e só foi parado com uma entrada duríssima do lateral Ramirez. Caído, ainda levou um biquinho de chuteira de outro uruguaio. (Naqueles tempos não havia essa história de fair play. O pau comia com frequência em jogos como esse.)

Formou-se a confusão e Rivellino acertou um soco em Ramirez. Assim que o juiz apitou o final da partida, o uruguaio partiu feito louco pra cima do meia brasileiro, ocasionando uma das cenas mais ridículas do futebol. Riva fugiu do agressor correndo para os vestiários. Talvez por causa das travas das chuteiras, escorregou e desceu direto de bunda todos os degraus, desaparecendo no interior do vestiário.

Se pensou em ir atrás do brasileiro dentro dos vestiários, Ramirez nem teve tempo pra isso. Cercado pelos brasileiros, apanhou um monte. O tumulto cresceu, envolvendo outros jogadores uruguaios e até jornalistas que cobriam a partida no gramado. Só acabou com a intervenção da polícia.

No ano seguinte, Ramirez foi contratado pelo Flamengo. Nessa época Rivellino jogava no Fluminense, onde era ídolo e campeão. A expectativa de um novo embate entre os dois no FlaFlu não se concretizou. Fizeram as pazes e jogaram sem o menor problema. O uruguaio ainda jogaria pelo Palmeiras e depois permaneceu no Brasil, onde tentou seguir carreira de treinador, comandando pequenas equipes no interior do Brasil.

Nesse jogo, o uruguai tinha em seu meio campo Darío Pereyra, transferido para o São Paulo no ano seguinte, na segunda mais cara transação na época.

Relembre abaixo toda a cena. E aproveite pra matar saudade das transmissões da TV Cultura de São Paulo, que na época tinha uma boa programação esportiva e um belo time de profissionais.

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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