O grande chinelinho do futebol brasileiro

kaiser_Austria_atual.jpg
Nosso chinelinho no Wacker Innsbruck, da Áustria, e hoje, na aposentadoria

Alguém consegue imaginar um jogador profissional com status de craque, que passe sua carreira inteira em grandes equipes sem nunca jogar 90 minutos? Pois ele existe, é brasileiro e em 20 anos de futebol não disputou mais que 20 ou 30 partidas oficiais, se muito.

kaiser_jornal
Chegou no Bangu como rei

Carlos Henrique “Kaiser” Raposo não era chegado à bola, mas era um craque para se manter longe dela. Boa praça, inteligente e bonito, sua tática era aproximar-se de grandes ídolos e estabelecer amizades — inclusive com jornalistas — com seu jeito extrovertido e festeiro. Assim, acabava indo de carona em grandes transações, endossado pelo craque que estava sendo negociado. Sempre com contratos de risco de dois ou três meses e recebendo luvas ao assinar a papelada.

Embolsadas as luvas, iniciava a segunda parte do plano. Muita dedicação e animação nos treinos físicos, mas assim que a bola rolava, simulava uma contusão e ficava de fora duas, três semanas (muitas vezes com a ajuda de algum dos amigos, que ajudava na armação). É bom lembrar que na época a medicina esportiva não era o que é hoje, sem os exames minuciosos que detalham a condição dos atletas.

Os jogadores sabiam do faz-de-conta, mas contribuiam com o teatro, inclusive aprovando sua contratação elogiando-o como goleador. Em troca, tinham um amigo alegre, com muitos contatos na noite e grande organizador de festinhas nas concentrações.

Kaiser_Gaucho_Renato_Gaucho
Ataque da night com Renato Gaúcho e Gaúcho

Com Renato Gaúcho e Gaúcho formou uma linha de frente poderosa na noite do Rio, eventualmente reforçada por Romário e Edmundo. Clone assumido de Renato, no exterior passou por equipes dos EUA, México, Argentina e França.

Quando a coisa apertava, ele conseguia uma outra “carona” ou indicação pra outro grande clube e saia sem jogar, chegando como grande contratação. “Não me arrependo de nada. Os clubes já enganaram tantos jogadores, alguém tinha que ser o vingador dos caras”, costumava dizer debochadamente.

Segundo ele, foi campeão da Libertadores de 1984 com o Independiente da Argentina, fato não confirmado pela diretoria do clube. Por histórias como essa ficou conhecido como o Forrest Gump brasileiro.

kaiser_info_equipes
Infográfico da revista Kaiser mostra as andanças do nosso Forrest Gump

Encerrou a “carreira” com 39 anos, no Ajaccio, da França, onde ficou por alguns anos e, segundo ele, a única vez em que jogou de verdade (20 ou 30 minutos por jogo).

Fonte: globoesporte.globo.com

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

Comente aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s