Os Donos da Voz e a locução de futebol no Brasil

 

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Mesmo no estádio, o rádinho no ouvido pra dar mais emoção ainda ao espetáculo

Quem nunca reclamou de um locutor ou não ficou puto com a exclusividade da transmissão de uma partida, sem opção pra escolher o comentarista preferido? Tem gente que assiste na TV mas com o ouvido colado na narração do rádio. A partir da primeira transmissão de uma partida de futebol, a figura do locutor foi ganhando uma importância tão grande quanto a dos 22 personagens no gramado.

Um pouco dessa história está no documentário Os Donos da Voz, um trabalho de conclusão de curso de Rádio e TV por alunos do oitavo semestre da Universidade Anhembi Morumbi, realizado em 2013. Nele, conhecidos locutores e comentaristas de rádio e TV falam de suas experiências, contam casos e não escondem a paixão que têm pelo esporte e por sua profissão.

O filme segue uma linha do tempo, desde Ary Barroso até as transmissões atuais. Achei o espaço dedicado ao início do rádio pequeno em relação ao destaque dado à televisão. Deixa a impressão que a partir dos anos 50, quando do surgimento da TV no país, que ela dominou as transmissões. Há histórias deliciosas sobre os primeiros tempos das transmissões radiofônicas do futebol.

Ary, flamenguista doente declarado, de tanto criticar o Vasco, ficou proibido de entrar em São Januário. Isso não o impediu de transmitir a partida realizada ali. Subiu no telhado de um galinheiro ao lado e de lá fez a locução do jogo.

 

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Ary Barroso e sua gaita não perdiam um lance. E se fosse Flamengo, então…

Mesmo após o advento da televisão, pelo menos no futebol, o rádio ainda manteria uma soberania por décadas. O torcedor ia ao estádio ou ouvia no rádio (ou as duas coisas) e à noite via o videotape.

No filme senti falta também de depoimentos de locutores de outros estados. O fato de ser um trabalho de estudantes de São Paulo sem dúvida contribuiu pra isso. Mas talvez com a internet isso pudesse ter sido contornado. Seria bacana ver os antológicos José Carlos “Garotinho” Araújo, do Rio de Janeiro ou Osvaldo Rei, o Pequetito, de Minas Gerais.

Apesar disso, vale a pena assistir Os Donos da Voz e conhecer um pouco de alguns personagens que também contribuem pra beleza do futebol.

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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