O grande balcão de negócios chamado futebol

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Ao longo de sua história o futebol foi se modificando, dentro e fora dos gramados. Alterações de regras, novos esquemas táticos, preparação física… o futebol moderno é quase um outro jogo em relação às suas primeiras décadas.

E à medida em que foi se popularizando, despertou a cobiça de governos e políticos ávidos em tirar vantagem dessa popularidade. Mussolini e Hitler nos anos 30, Franco na Espanha, Brasil e Argentina durante seus governos militares, os políticos brasileiros na Copa de 1950… são muitos os exemplos.

A partir de 1974, com a eleição de João Havelange para a presidência da FIFA, esse panorama começou a se modificar. O brasileiro veio com ideias firmes de tornar o futebol um grande balcão de negócios, profissionalizando o gangsterismo que já permeava seus bastidores de maneira meio amadora.

Hoje me parece que o interesse econômico assumiu totalmente o comando das ações, tomando o espaço dos políticos. Grupos econômicos internacionais, sheiques árabes e diferentes máfias avançaram ferozmente, conquistando o controle de times grandes e tradicionais adquirindo maioria de cotas de ações (no caso de clubes europeus e americanos), ou como parceiros financeiros (Brasil e outros sulamericanos). Mais recentes, empresas chinesas com muito dinheiro e incentivo oficial.

Uma nova ordem mundial foi criada. O futebol virou uma grande lavanderia, que não sofreu abalo nem quando exposta mundialmente com a prisão da cúpula da FIFA e de outros dirigentes de confederações por parte do FBI.

Negociações como essa envolvendo o Real Madri, Flamengo e o garoto Vinicius Júnior mostram que tudo continua como antes. Um dos clubes mais poderosos do planeta decide desembolsar 45 milhões de euros por um garoto com apenas alguns minutos como profissional é no mínimo intrigante.

A alteração do número de participantes da Copa do Mundo, que deverá ter em 48 seleções na edição de 2026 é outra amostra de como o escândalo proporcionado pela ação do FBI não abalou as estruturas montadas. O balcão de negócios continua ativo.

E o que dizer das milionárias negociações para transmissão dos jogos pela televisão? No Brasil, a TV tem, na prática, o poder de gerenciar o futebol no país, determinando a tabela de acordo com sua grade de programação. Ou vai dizer que você aprova partidas disputadas numa segunda-feira à noite? Ou jogos no meio de semana às 21h45?

Nossos clubes, endividados e comandados por ambições pessoais e mesquinhas, se jogaram de cabeça nessa negociata e, como Fausto, há muito venderam suas almas. O problema é que o sangue usado na assinatura do acordo foi o de seus apaixonados torcedores.

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No sentido horário: Passarela campeão na Copa de 78; xeique Mansour bin Zayed, de Riad, dono do Manchester City (ING); Joseph Blatter, ex-presidente da FIFA, acusado pelo FBI; Silvio Berlusconi, político e ex-dono do Milan (IT) – vendido o clube para um grupo chinês); Roman Abramovich, milionário russo, dono do Chelsea (ING); Nasser Al-Khelaifi, do Qatar, dono do PSG (FR)

 

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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