Design dos uniformes: nada se cria, tudo se copia

Um jogo de futebol hoje é um show de tecnologia. Das camisas às chuteiras, tudo carrega muita pesquisa e desenvolvimento. Uniformes quase impermeáveis, chuteiras levíssimas, caneleiras, bolas, tudo saído dos laboratórios com o intuito de melhorar a performance dos atletas.

Essa evolução se deu também com o desenho dos uniformes, que foram se modificando e adequando à estética e costumes de cada época. A partir dos anos 40, as mudanças mostraram ser meras adaptações de estilos antigos, num vai e vem de tendências que perdura até hoje.

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Quase um século depois, o mesmo design dos uniformes

No início, usava-se bermuda (com cinto) até os joelhos e camisa de colarinho e manga longa. Depois, nos anos 20, as mangas encurtaram e vieram os calções longos (um pouco acima dos joelhos). As camisas passaram a ser usadas para dentro dos calções. Nas duas décadas seguintes vieram as camisetas, justas e com gola V. Os calções encurtaram e viraram shorts. Nos anos 50 as camisetas ganharam gola polo e ficaram mais largas. Isso predominou até o final dos anos 60 e 70. Nesse período, a diferença maior foi a adoção da gola redonda (ou careca) nas camisetas. Anos 80, shorts e camisetas justas e, mais pro final da década, uma retomada no estilo gola polo.

Anos 90. O geometrismo na camisa do Bragantino. Os megacoloridos e padrões Azteca no extralarge uniforme do goleiro mexicano Jorge Campos. O tigre HullCity. E os ridículos calções do Santos. Dá pra ter uma ideia do que foi aquela época…

Chegaram os anos 90 e os designers piraram. Nessa que considero a época mais desastrosa do design de uniformes, as camisetas e calções eram muito, muito largos. A impressão era que só havia o tamanho extragrande. Os atletas pareciam vestir um ou dois números maior, principalmente os mais baixos ou magros. (Bom pra atletas de fim de semana como eu, pois disfarçava a barriguinha nada atlética). Padrões e cores usados de maneira bizarra, com resultados constrangedores. Além disso, com quase total predomínio das grandes marcas de roupas esportivas – Adidas, Nike, Umbro e Puma – os uniformes começaram a ser produzidos em série, só se diferenciando pelas cores de cada time.

2016. Palencia Balompie, 3ª Divisão da Espanha. Sem palavras.

Não que não se cometam bizarrices nestes anos 2000. Elas acontecem, principalmente com a chamada terceira camisa, onde não se sabe se o pior é o design ou a história inventada pra justificar.
Mas em termos de caimento, hoje voltamos à estética de 1910/20. Camisetas justas e longas por fora do calção, que na verdade é quase uma bermuda. Isso sem falar das chuteiras, com um visual que remete às botas usadas lá nos primórdios do futebol. Nessa toada, teremos em breve desfilando nos gramados camisetas com gola V e shorts bem curtos e justos. A não ser que os estilistas resolvam nos surpreender.

A ESTÉTICA DO FUTEBOL AO LONGO DO TEMPO

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Tecnologia hightech em desenhos que pouco mudaram ao longo da história

 

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