Ave, Totti. Roma e o mundo do futebol te saúdam

Totti_despedida_Roma
Totti festejado por seus companheiros em sua despedida

No último domingo, 28 de maio, o dez do Roma, Francesco Totti, encerrou uma carreira de 24 anos no clube. Que inveja dos romanistas. Ter um ídolo que é craque e que recusa ofertas milionárias ao longo da carreira por ser apaixonado pela camisa que veste, isso não tem preço.

E olha que o Roma não é nenhum supercampeão, ao contrário. Fica ali, vive mais especulando vaga na Champions League do que títulos. Chegou a ficar 40 anos sem um título nacional – quebrou o tabu com a ajuda de Falcão. Seu último título foi em 2001, com Totti liderando no gramado. Isso só torna o fato mais sensacional ainda, demonstração de amor genuíno por um clube. Nem sempre o dinheiro ganha.

totti_campeao_2006
Campeão em 2006 com a Seleção

Totti chegou ao clube com 13 anos. Como profissional, estreou na temporada 1992-93, com 16 anos. Chegou a ser gandula em alguns jogos como prêmio por suas boas atuações nas categorias de base. Se aposenta tendo no currículo, além de um título nacional e duas Copas da Itália, a maior artilharia da história do clube, a maior artilharia da história da Série A italiana por uma única equipe e o título de campeão mundial pela Seleção em 2006, como capitão do time. Também é o jogador mais velho a marcar em jogos da Champions League – contra o Manchester City, em 2014-15.

Talvez os mais jovens não consigam ter a noção do que significa um atleta fazer as escolhas que fez Totti. Acostumados cada vez mais contabilizar títulos e ver jogadores com passagens fugazes e promessas que se quebram no primeiro cheque alheio que aparece, esse fato pode lhes parecer bizarro.

No Brasil a história mais próxima disso é a de Rogério Ceni no São Paulo, ídolo indiscutível. Porém, as posições em que cada um jogou fazem diferença. Como um meia atacante, um 10 craque, Totti foi muito mais cortejado por outros clubes do que normalmente acontece com um goleiro, mesmo um do nível de Ceni.

Me lembro de Batisttuta, sensacional centroavante argentino que jogou anos na Fiorentina, uma equipe de tradição, mas que gosta de visitar a Série B e tem em seu currículo apenas 2 títulos da Série A – o último em 1968-69. Recusou uma belíssima proposta do Real Madri, preferindo permanecer em Florença. Para ele, vencer no clube espanhol seria bom, mas esperado (diante do poderio do time). Já ser campeão pela Fiorentina seria fazer história e valia muito mais. Não ganhou com a camisa viola, mas acabou indo pra Roma, onde faturou o campeonato juntamente com Totti.

Totti já é lenda. Quem viveu viu, e provavelmente não verá mais casos parecidos. Continuaremos a comemorar quando um jogador decidir ficar um ou dois anos no time. Mais será ganhar na loteria. Por isso, Ave, Totti. Roma e o mundo do futebol lhe saúdam.

 

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

Comente aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s