Em 74 teve meningite, política e (sempre) futebol

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Corinthianos comemoram. Mesmo com epidemia na cidade, 56 mil pessoas no estádio

Em 1973 São Paulo assumiu o lugar de Santiago do Chile para realizar os Jogos Pan-Americanos de 1975. Inicialmente escolhido para sediar o evento, o Chile abriu mão devido ao golpe militar sangrento em setembro de 1973.

Porém, em 1974 a São Paulo desistiu também, alegando riscos devido a um surto de meningite. Um artigo da Folha de S.Paulo, porém, apresenta outra versão para o fato. A desistência resultaria de um desvio das verbas oficiais destinadas aos Jogos para campanhas políticas de candidatos governistas nas eleições daquele ano. Para camuflar, usaram a meningite como desculpa, apesar de faltar quase um ano para a realização do evento, com tempo de sobra pra controlar o surto. Verdade ou não, de nada adiantou despejar dinheiro nos candidatos da Arena – o partido da situação. O governo militar sofreu duras derrotas em todo o país.

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Reportagem da Folha sobre a desistência de São Paulo

Em meio a meningite e esportes olímpicos, a bola continuava rolando. E no Pacaembú, num domingo nublado de agosto, jogaram Corinthians e Palmeiras. Apesar de toda a campanha pra evitar aglomerações que poderiam alastrar a doença, mais de 56 mil pessoas foram ao Pacaembú naquela tarde. Entre eles eu e alguns amigos, pra desgosto de minha mãe, receosa pela minha saúde.

Nas arquibancadas, torcidas misturadas e nada de doença. No campo, uma virada sensacional do Corinthians por 3 x 1, com direito à hat-trick de Zé Roberto, um centroavante meio desengonçado, alto e magricela, mas que fazia gols. Era o primeiro turno do Paulistão. Naquele ano os dois times acabariam se enfrentando na final, em dois jogos. Um empate e uma vitória palmeirense tiraram a chance do Corinthians de sair da seca de títulos que completava exatos 20 anos em 1974.

Abaixo, os gols do jogo com narração de Orlando Duarte. Nessa época a TV Cultura era forte nos esportes, Um detalhe, a rede fofa do gol, que estufava com a bola, num efeito maravilhoso. Hoje em dia é muito raro de ver já que o padrão passou a ser rede esticada ao máximo.

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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