Champions League 2005: O Milagre de Istambul

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Mar vermelho nas arquibancadas de Istambul. O Liverpool nunca está sozinho

A final da Champions League de 2005 foi um dos maiores jogos da história do torneio. Milan e Liverpool chegaram à final em Istambul, na Turquia, em situações muito distintas. O time italiano foi líder do seu grupo na primeira fase e nos mata-mata só levou susto contra o PSV, da Holanda, passando com um gol fora de casa (2×0 e 1×3). Tinha os brasileiros Dida, Cafu, Serginho e Kaká. Além de Pirlo, Maldini e Shevchenko. Um timaço.

A classificação do Liverpool foi um drama total. Passou pela repescagem para chegar à fase de grupos, no qual se classificou em segundo, pelo saldo de gols. No mata-mata, uma vitória contra o rival Chelsea com um gol muito polêmico na segunda partida. Até hoje ninguém conseguiu ter certeza se a bola cruzou mesmo a linha do gol. Tinha Gerrard, Xavi Alonso, Carragher, Luís Garcia e o goleiro Dudek, que seria um dos destaques do jogo. Um bom time, mas inferior aos italianos.

Enquanto o Milan chegava pra vencer o torneio pela sétima vez, os ingleses traziam uma lembrança amarga da última final disputada contra a Juventus de Turim, em 1985, quando uma feroz briga de torcedores deixou um saldo de 39 mortos e um banimento de 6 anos do Liverpool das competições européias (5 anos para demais clubes ingleses).

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Maldini faz o primeiro do Milan. Do começo ao fim, uma partida memorável

No jogo, com menos de um minuto Maldini abriu o placar. Depois, Crespo marcou duas vezes, ainda no primeiro tempo. Um verdadeiro passeio com ares de goleada. Lembro de estar assistindo e me sentir meio frustrado com a facilidade encontrada pelo Milan. Esperava um jogo mais disputado, pensei.

No entanto, durante o intervalo, a torcida inglesa começou a cantar como se fossem eles os vitoriosos. E ao som de “You´ll Never Walk Alone” o time voltou dos vestiários com a faca nos dentes. E o jogão que eu esperava começou ali. Em 6 minutos mágicos dos Reds, 3 gols e jogo empatado. Passado o susto, o Milan tentou se recompor e foi à luta, mas a partida não conseguiu evitar a prorrogação.

O tempo extra manteve a toada, com o Milan mais perigoso e perdendo claras chances de gol. Em uma delas o goleiro Dudek fez dois milagres no mesmo lance. No final, pênaltis pra testar o coração dos torcedores e dos atletas. E aí brilhou o goleiro do Liverpool, que defendeu duas cobranças – numa delas se adiantando escandalosamente. Dida chegou a defender uma cobrança, mas no final vitória vermelha por 3×2.

A incredulidade diante da virada estampada nos jornais

Dois anos depois, as duas equipes voltariam a se enfrentar na final, em Atenas, Grécia. Só que aí não deu pros ingleses. Vitória do Milan, que manteve seu elenco apesar da incrível derrota na Turquia. Placar de 2×1, com show de Kaká.

Mas nenhuma outra final vai superar o memorável jogo em Istambul e a sensacional virada do Liverpool (que até hoje não venceu mais nada).

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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