A várzea virou estrela no Desafio ao Galo

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Na várzea, quando o campo não ajudava, a raça e a vontade se impunham

No começo dos anos 70 a TV Record criou um torneio de futebol de várzea para preencher seu horário nas manhãs de domingo. Numa época em que o futebol na TV se resumia a algumas mesas redondas e o videotape da partida na capital, era interessante um joguinho antes de se preparar pra acompanhar seu time à tarde (geralmente pelo rádio ou no estádio).

Batizado de Desafio ao Galo, bombou na audiência, superando qualquer expectativa dos mais otimistas. Enquanto dois times se defrontavam, era sorteado um time que seria o desafiante, no domingo seguinte, do vencedor da partida que estava em andamento. O popular “quem ganha fica”. O vitorioso seria o Galo a ser desafiado na outra semana.

Caravanas de torcedores dos bairros se deslocavam para acompanhar os seus times – primeiro era no campo do União dos Operários, depois o endereço mudou para o do CMTC Clube. O sucesso da disputa foi tão grande que chegava a ter quase tanto destaque quanto o campeonato profissional.

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Estádio sempre cheio pra acompanhar e incentivar os times

Eu, meu irmão e meu pai assistíamos todos os domingos. Um time que foi sensação, mantendo-se Galo por 26 jogos seguidos, foi o Parque da Móoca. Jogava bem, com um ataque muito forte. Lembro do dia em que perderam a invencibilidade para o Martinica, de Campo Limpo, com um gol de um jogador chamado Bule. Coincidência ou não, depois disso fomos perdendo o interesse pelas disputas. O programa durou mais de 20 anos, terminando apenas em 1996, transmitido pela TV Gazeta.

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O acanhadíssimo espaço para a imprensa (foto Sarkis). E o apito profissional de Boschilia

Tanto do lado de dentro do campo como fora dele, figuras já conhecidas ou que se tornariam populares mais tarde passaram por lá. Fausto Silva transmitiu jogos durante dois anos. Dulcidio Wanderley Boschilia apitou alguns confrontos. Manfrini, ex-craque da Ponte Preta e da Máquina Tricolor do Fluminense defendeu algumas equipes.

Era um tempo em que o futebol de várzea ainda era grande revelador de jogadores, de times que representavam suas comunidades e que tornavam o sonho de ser um profissional algo possível. Escola de jogadores de bola, que viviam o futebol acima de qualquer coisa. Hoje, isso é passado.

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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