Juiz ruim de conta, campeonato com dois campeões

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Armando Marques. Polêmico, errou feio na final em 1973

Gosto de futebol desde muito pequenino. De jogar, de torcer, de ir ao estádio ver ao vivo, de escutar no rádio ou ver na TV. E sempre achei duas posições completamente insanas, o goleiro e o árbitro. O goleiro ainda é ovacionado quando faz um bela exibição. O árbitro só é lembrado quando se equivoca. O cara precisa ser muito louco ou muito narcisista, pois um apito a mais ou de menos e a galera vai pra cima.

Ao longo da história tivemos muitos apitadores polêmicos – Mário Vianna, Romualdo Arppi Filho, Dulcídio Wanderley Boschilia, José Roberto Wright, entre tantos. Mas um em especial marcou por uma lambança gigantesca numa final de campeonato paulista, o carioca Armando Marques.

Genioso, controvertido, era famoso por seu enorme exibicionismo. Não perdia a oportunidade de aparecer mais que os próprios jogadores. Em 1973, Portuguesa e Santos se enfrentaram na final do Paulistão, num Morumbi com mais de 100 mil torcedores. O Peixe tinha Pelé, Edu, Carlos Alberto Torres, o goleiro argentino Cejas, enquanto a Lusa trazia Basílio, Enéas, Badeco e o artilheiro Cabinho. E Armando Marques, o árbitro.

Depois de um 0x0 no tempo normal e na prorrogação a decisão foi pros pênaltis. E aí se deu a confusão. Depois de três cobranças, o Santos vencia por 2×0. Restando dois pênaltis pra cada time, a Lusa ainda poderia empatar, mas Armando Marques errou em suas contas e deu por encerrada a disputa com vitória do Santos.

Em meio à comemoração e muita discussão, Otto Glória, treinador raposa da Lusa, tirou seu time de campo e fez os jogadores irem direto pro ônibus – sem nem tomar um banho –, partindo rapidamente do Morumbi. Quando se admitiu o erro do árbitro, não havia mais como prosseguir com as cobranças restantes para encerrar corretamente a disputa.

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No jornal, título para o árbitro

O título acabou dividido e os dois times considerados campeões. Foi o último título da Portuguesa e uma das maiores bobagens cometidas por um árbitro de futebol. Hoje, com trocentas câmeras no estádio, assistente de vídeo e contagem apresentada na hora pela TV, não há como imaginar um erro desse tamanho.

Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques morreu em julho de 2014, aos 84 anos. Polêmico, linha dura, talhado para grandes jogos, já havia cometido outro erro crasso em uma partida decisiva de campeonato paulista em 1971. Erro que ele mesmo considerava muito pior que a contagem das penalidades. Mas isso fica para um outro post.

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

Uma consideração sobre “Juiz ruim de conta, campeonato com dois campeões”

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