O lendário FlaFlu da Lagoa

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Pressão rubro negra num clássico que entrou para a História

Quando alguém fala em FlaFlu a gente logo imagina muita rivalidade e um grande jogo. Lembra também de Nelson Rodrigues, fanático tricolor, e seu irmão rubro negro Mario Filho. Coube a essa dupla imortalizar o clássico carioca. A começar pelo nome. FlaFlu foi o nome dado por Mario Filho para uma seleção carioca formada apenas por jogadores dos dois times para disputar o torneio de seleções estaduais organizado pela CBD.

Já Nelson Rodrigues foi buscar no russo Dostoievski a explicação para a rivalidade entre os dois clubes. “Há um parentesco óbvio entre o Fluminense e o Flamengo. E como este se gerou no ressentimento, eu diria que os dois são os Irmãos Karamazov do futebol brasileiro”, escreveu referindo-se a “Os Irmãos Karamazov”.

Em 1941 aconteceu o mais lendário dos embates entre esses irmãos ressentidos, o FlaFlu da Lagoa. No estádio da Gávea, em novembro daquele ano, eles decidiram o campeonato estadual. O Tricolor jogava por um empate para comemorar o bicampeonato. Na época não havia ainda o Maracanã e o campo do Flamengo ficava a alguns metros das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Apesar de jogar pelo empate, o Tricolor foi pra cima e abriu 2×0 no primeiro tempo. Na etapa final, o artilheiro Pirilo – 39 gols no campeonato, um recorde até hoje no Estadual – marcou dois e empatou o jogo. O segundo gol aos 39 minutos. O tricolor Carreiro reclamou com o árbitro e foi expulso. Batatais – goleiro da seleção brasileira de 1938 – se chocou com Pirilo e deslocou o ombro. Naquela época não havia substituição. Assim, mesmo lesionado, Batatais operou alguns milagres.

Faltando seis minutos, e com um a mais, os rubro negros se lançaram alucinados ao ataque. Pressionada, a zaga tricolor começou a rifar a bola para as águas da Lagoa, a fim de truncar o jogo, que era cronometrado. Cada vez que a bola saia o relógio parava. Outra bola e novo chute pra água. Não ganhava tempo, mas ia parando o adversário. Diz a lenda que o Flamengo colocou seus remadores – afinal, era um clube de regatas antes de ser também do futebol – para irem rapidamente apanhar a bola e recolocá-la em disputa. Daí veio o nome FlaFlu da Lagoa.

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Fluminense campeão. Mesmo contundido, o goleiro Batatais fechou a meta tricolor

O rubro negro Mario Filho escreveu assim:  “E o curioso é que desse match a gente só se recorda dos 6 minutos finais. Os gols todos já estavam feitos: dois a dois. Pois foi como se o  Fla-Flu começasse ali e durasse apenas seis minutos, que não foram seis, que duraram a eternidade.”

No final, empate e bicampeonato assegurado. E mais um capítulo para a sensacional história de Flamengo e Fluminense. E do futebol.

 

 

Autor: Francisco Milhorança

Designer gráfico, artista visual e apaixonado por futebol (não necessariamente nessa ordem).

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