Futebol · Livre pensar

No futebol atual é proibido festejar

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Torcida, bandeiras, alegria, vibração. Isso era o futebol. (Foto Ed Viggiani)

Foi dado o pontapé inicial do futebol tupiniquim 2019. Começaram os Campeonatos Estaduais. Cada vez mais parecidos com uma grande pré-temporada, trazem mais uma vez a infame decisão de torcida única nos clássicos. Adotada em vários estados do Brasil, para mim é a pá de cal em qualquer esperança de uma alteração positiva no futebol.

Morumbi, 9/10/77. Segundo jogo da final entre Corinthians e Ponte Preta. Recorde de público – 146.082 pessoas – e provavelmente de bandeiras

Os mais jovens talvez não tenham a noção da diferença que é assistir a um jogo dividindo o estádio com a torcida adversária. Mas os velhinhos como eu sabem que não há sensação mais deliciosa. A emoção sobe a níveis meteóricos. Mas como vivemos em uma época cada vez mais “nós ou eles”, acredito que o futebol está bem representado por decisões como essa.

E pra piorar, a lista de proibições divulgada pela Conmebol no início do ano, tentando compensar sua incompetência para lidar com a final Boca X River. Uma tentativa tosca de desviar o foco do problema. Estão banidos os bandeirões, os fogos de artifício, qualquer instrumento musical, torcedores em pé e até a venda de ingressos em bilheterias nos estádios continentais. Tá tudo proibido. Só faltou retirar os torcedores.

Quando vejo esse tipo de coisa só consigo pensar que decisões como essa são tomadas por quem nunca foi a um estádio torcer pelo seu time. Com exceção de um surpreendente pronunciamento da direção do Corinthians nas redes sociais, parece que ninguém se importou com essas medidas. Nem clubes, nem atletas, nem imprensa, parece que ninguém se indignou. O que importa é o dinheiro, as cotas que os torneios oferecem. O futebol virou a maior lavanderia mundial e todos, até torcedores, abraçaram isso de maneira inconteste. Rolam até discussões na galera sobre qual time fatura mais, qual tem o maior patrocínio master. Bizarro.

Junte-se à esse quadro um jogo jogado cada vez mais chato, com times buscando não perder antes de tentar a vitória. Tá osso.

Em tempo 1: torcida única já se mostrou ineficaz em conter a violência de torcedores. A não ser que se considere apenas as pessoas dentro do estádio. O buraco é mais embaixo e falta coragem e caráter pra realmente arrumar a casa.

Em tempo 2: Não se trata de saudosismo, o futebol mudou e não dá pra ficar com mimimi. Mas, caramba, podia ser diferente, mais empolgante. Ou não?

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