Futebol ou jogo de bola?

Jogar bola. Simples assim

Quando tinha uns 12 anos comecei a jogar futebol de salão em um time do Parquinho, uma instituição da prefeitura ali no bairro. Até então, futebol pra mim era jogar bola. Na quadra da escola, na rua ou em um dos inúmeros campos de várzea que tinha pertinho de casa. Só diversão. No Parquinho era diferente, com técnico, regras e táticas. Demorou pra me sentir à vontade e entender o jogo. Mas eu gostava.

Certa vez fomos disputar um jogo valendo por um torneio. Era na nossa quadra. O adversário era duro, mas um jogador em especial era muito bom, o Tatu. Estava acabando com a gente. Quase no fim do primeiro tempo – já estávamos perdendo – começou a chover. Como a quadra não era coberta, a partida foi interrompida. No vestiário nosso técnico deu um esculacho na gente. Depois disso, algumas instruções e uma ordem. “Parem esse Tatu. Do jeito que for. Derruba, segura, mas não deixe passar”. Aquilo entrou muito torto pra mim. Voltamos pro jogo, mas a chuva voltou junto e a partida acabou sendo adiada.

Fui embora pra não mais voltar. Não gostava de perder, mas percebi no momento em que o treinador falava, que a ideia de ganhar a qualquer custo era tão ruim quanto uma derrota. Meu prazer era jogar, e bem. Eu, meu time e mesmo o adversário. Jogar um bom jogo parelho. Ganhar era um prêmio, mas não o maior. O futebol era muito mais que isso.

Já não jogo bola há muito tempo, aposentado por um problema crônico no quadril. Relegado à condição de mero torcedor, me sinto cada vez mais desanimado com o futebol profissional pobre e medroso que é jogado por aqui. O Grêmio de Renato Portalupi há um tempinho nos mostrou que dá pra sair dessa modorra. Não está mais tão bacana, mas continua tentando manter a pegada. As surpresas são gringas. O português Jorge Jesus no Flamengo melhorou radicalmente o desempenho de uma equipe recheada de bons jogadores, mas que não empolgava.  Apresenta resultados e um futebol muito agradável de ver.

No Santos, o argentino Sampaoli chegou agitando. Colocou um time muito limitado pra jogar bola, partindo pra cima dos adversários. Tem sido um sopro refrescante diante da mesmice covarde de nossos “professores”. De vez em quando dá umas rateadas, tipo tomar de 5 do Ituano. Mas até agora, mais animou do que frustrou. Pasion por la pelota é o lema. Mais jogo de bola e menos futebol. Porque ganhar ou perder é do jogo. O que diferencia os grandes é o como isso acontece.

Anúncios

Comente aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.