Gramática das chuteiras

por Augusto Guimaraens Cavalcanti*

Um empate seria morrer pelo outro,

como uma bola que beijasse tragicamente a trave

para depois se lamentar para sempre

Das chuteiras é que saltam os pulmões das travas,

suas melodias irrompem das cinzas de uma grama

ainda por crescer

Este é o baile de um destino

que se decide em ato;

a vertigem do gol sempre abre uma fresta no espaço

Todo gol transborda

por ser irreversível

Seus roteiros não definem seus trajetos

A bola, placenta celeste, joia sem furo, esfera-lua,

bola-sol que resvala seu mapa empírico:

diamante do homem comum

*Augusto Guimaraens Cavalcanti é poeta e romancista. Já lançou: Poemas para se ler ao meio-dia (2006, 7Letras); 
Os tigres cravaram as garras no horizonte (2010, Circuito) e Fui à Bulgária procurar por Campos de Carvalho (7Letras). 
www.augustoazul.blogspot.com
Este poema foi compartilhado da página do CGN, de 10/06/2014.

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