Miles

Do nada ele desligou o som. E o silêncio caiu muito bem. Tinha dias em que a música incomodava, não encaixava. Por que? Não sabia. Logo pra ele, que a vida toda sempre gostou de fazer tudo ouvindo música.

Pegou novamente a caneta e voltou a escrever. Não gostava de computador. Não se tratava de saudosismo, apenas não gostava da energia que emanava. Já tinha lido sobre isso. Preferia escrever à mão, a energia do papel e da tinta eram muito mais benéficas. Isso ele não lera em lugar algum, seu coração sabia. Ele escrevia muito, diariamente, compulsivamente. Escrevia sobre os dias que vivia, dias de sol ou de chuva. Alguns alegres, outros nem tanto. Escrevia crônicas, cometia alguns versos, poesia. Contava da felicidade que às vezes sentia e da lembrança do amor sonhado, que um dia quase foi realidade.

Parou novamente de escrever. Largou a caneta na mesa, foi até a cozinha e voltou com um café na mão. O silêncio cansou. Olhou rapidamente a vida pela janela e ligou o rádio. Miles invadiu a sala. Seu coração ficou pleno.

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