Os Donos da Voz e a locução de futebol no Brasil

 

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Mesmo no estádio, o rádinho no ouvido pra dar mais emoção ainda ao espetáculo

Quem nunca reclamou de um locutor ou não ficou puto com a exclusividade da transmissão de uma partida, sem opção pra escolher o comentarista preferido? Tem gente que assiste na TV mas com o ouvido colado na narração do rádio. A partir da primeira transmissão de uma partida de futebol, a figura do locutor foi ganhando uma importância tão grande quanto a dos 22 personagens no gramado. Continue Lendo “Os Donos da Voz e a locução de futebol no Brasil”

Boleiros – Era Uma Vez o Futebol…

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O grupo de ex-jogadores no bar: glórias e dramas de um futebol que não existe mais

boleiros_posterNuma terra que se autoproclama o País do Futebol a produção cultural sobre o tema é ridícula. Ou, se existe, foi pouco vista. Seja no cinema, teatro ou literatura, a quantidade de obras oferecida ainda é muito pequena. Quando aparece algo, tem de conferir.

Apesar de poucas obras, temos algumas jóias na estante que  fazem a alegria do apaixonado pelo esporte. É o caso de Boleiros – Era Uma Vez o Futebol, filme dirigido por Ugo Giorgetti (de Sábado e A Cidade Imaginária, entre outros). Foi lançado faz tempo, em 1998. Mas é daqueles filmes que a gente sempre tem vontade de rever. Continue Lendo “Boleiros – Era Uma Vez o Futebol…”

Quem disse que não teve Mundial em 1942?

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Em 1942 a Europa se encontrava em meio ao maior conflito armado conhecido até então. Neste cenário, era impensável a realização de uma Copa do Mundo de futebol, cuja última edição havia sido vencida pela Itália, em campos franceses, no ano de 1938, pouco antes de explodir a guerra.

Porém, reza a lenda que no ano de 1942 aconteceu um Mundial de Seleções de futebol, não reconhecido oficialmente pela FIFA. Teria sido jogado na Patagônia, extremo sul da Argentina, bancado por um certo Conde Otz, tido por muitos como meio louco. Diante da recusa das Federações dos países e da própria FIFA em participarem, ele teria organizado o evento com equipes formadas por locais e trabalhadores que se encontravam na região naquela época, envolvidos com a construção de uma barragem.

Havia gente de diversos países. Engenheiros alemães, trabalhadores poloneses, italianos, intelectuais franceses, guaranis veteranos  da Guerra do Chaco e até os Mapuches, povo  do Sul do Chile e Sudoeste da Argentina. Ao todo, 9 seleções teriam sido formadas para disputar a quarta edição do Campeonato Mundial de Futebol.

Esta história é contada em forma de documentário — ou, no caso, mockumentary (falso documentário) — no genial Il Mundial Dimenticato (“O Mundial Esquecido”), uma produção ítalo-argentina, aonde a fronteira da ficção e o documental se dilue em uma história deliciosa para quem curte futebol. Afinal, o que é o esse jogo senão um sonho vivido durante 90 minutos.

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Italianos perfilados. De chapéu de caubói, o trio de arbitragem. Filho do lendário Butch Cassidy,  procurado em diversos países, apitava com revólver na cintura

Pois em seus 90 minutos, o filme apresenta depoimentos de figuras conhecidas como Roberto Baggio, Linecker e até João Havelange (argh) junto a imagens de época que teriam sido encontradas na filmadora de Guillermo Sandrini, o cineasta oficial da Copa. Ela teria sido achada em um sítio arqueológico na Patagônia, ao lado de um esqueleto que seria o próprio Sandrini.

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Empate na finalíssima. Será que terminou assim?

O roteiro foi inspirado no livro O Filho de Butch Cassidy do escritor argentino Osvaldo Soriano, cujo tio teria jogado o Mundial. Realidade? Ficção? Com certeza, uma viagem aonde cada um que se aventurar trará seu próprio souvenir na volta.

O filme foi apresentado no Cinefoot em 2012. Havia uma versão integral no Youtube, mas foi retirada do ar. Vale uma busca pra conseguir uma sessão.

Toda a animação do futebol em Metegol

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Metegol é como os argentinos chamam o nosso Pebolim (ou Totó). Ele é o mote para uma deliciosa história que une futebol, sonhos de criança e muita fantasia. Tudo se passa num pequeno pueblo na Argentina onde Amadeo, um garoto tímido, grosso com a bola nos pés, se mostra um talento imbatível no pebolim. Desafiado pelo valentão da turma, um garoto bom de bola e muito marrento, acaba humilhando o rival.

Os anos passam e eis que o marrento retorna à sua cidadezinha natal, agora como Colosso, um astro do futebol mundial, uma espécie de Cristiano Ronaldo dos pampas — craque, famoso e galã — mas com sede de vingança (a única derrota que sofreu foi justamente aquele jogo de pebolim).

O astro lança um desafio a Amadeo, a ser jogado num campo de futebol real, onde o herói é reconhecidamente um fracasso.

Aí a magia entra em campo, e o time de pebolim de Amadeo ganha vida e parte pra ajudá-lo na encrenca. Os desenhos são lindos, e até mesmo quem não curte futebol acaba viajando na história. Os jogadores são um caso à parte, com todos os tiques e clichês visuais dos atletas profissionais de hoje. Um inclusive é decalcado na imagem de Valderrama, o colombiano famoso tanto pelo futebol que exibia nos gramados quanto pela vasta cabeleira loira encaracolada que ostentava.

Lançado em 2013, mantém o frescor. Por aqui, seguimos esperando que na auto proclamada terra do futebol, alguém nos brinde com uma produção desse porte. Já passou da hora.

Abaixo o filme na íntegra na versão em espanhol. Divirtam-se.

O Medo do Goleiro Diante do Pênalti

Solitário, o goleiro Joseph Bloch percorre uma estrada sem volta

Apesar de sua popularidade e de sua plasticidade, o futebol nunca foi explorado pelo cinema como poderia (ou deveria). É só comparar com o futebol americano e o beisebol, por exemplo. Tem centenas de filmes aonde esses esportes são protagonistas ou pano de fundo pra histórias nem sempre tão interessantes assim. Continue Lendo “O Medo do Goleiro Diante do Pênalti”