A Minicopa do Brasil, nos anos 70. Futebol, ditadura e chocolate

Em 1972 o Brasil vivia o sesquicentenário da Independência. Em um dos períodos mais repressivos da ditadura militar, época do “Ame-o ou deixe-o”, do “país que vai pra frente”, e ainda curtindo os louros da conquista da Copa do Mundo no México dois anos antes, a CBD (CBF da época) criou um torneio internacional pra comemorar a data. Convidou dezenas de seleções para disputarem a Taça Independência, mais conhecida como Minicopa. Continue Lendo “A Minicopa do Brasil, nos anos 70. Futebol, ditadura e chocolate”

Goleiro alemão Kahn falhou em 2002. Mas seguiu gigante

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“King” Kahn. Falha na final da Copa não ofuscou seu prestígio

Há 15 anos o Brasil batia a Alemanha no Japão e faturava a Copa do Mundo pela 5ª vez. Até a véspera do jogo o goleiro alemão Oliver Kahn era considerado o melhor jogador do torneio. Fazia uma Copa impecável.

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Desolado na derrota para o Brasil

Na final, porém, falhou feio no primeiro gol de Ronaldo, e terminou meio que como um vilão. Fundo do poço pro rapaz… nada disso. Os alemães não são como nós.

Enquanto Barbosa, goleiro do Brasil na fatídica final de 1950 contra o Uruguai, ficou estigmatizado para o resto de sua vida como o grande responsável por aquela derrota, Kahn seguiu sua vida. Quatro anos depois, eis o goleirão num imenso outdoor promovendo a Adidas e a Copa do Mundo que seria jogada no seu país. A Alemanha não venceu em casa e Kahn assistiu tudo do banco de reservas. Mas o goleiro seguiu excepcional até encerrar sua carreira, em 2008.

A noite da grande videocassetada de Rivellino

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Brasil x Uruguai, 1976. O lateral Ramirez dispara atrás de Rivellino. Cena antológica.                 (Foto U. Dettmar/Folha Imagem)

Em 28 de abril de 1976, Brasil e Uruguai se enfrentaram no Rio de Janeiro pela Taça do Atlântico. Criado em 1956, era uma disputa entre as seleções do Brasil, Argentina e Uruguai. Não fez tanto sucesso, tendo apenas mais duas edições, 1960 (quando passou a incluir o Paraguai) e 1976. O Brasil venceu todas elas. No entanto, mais do que as vitórias brasileiras, essa disputa é lembrada por um acontecimento ruim e ao mesmo tempo hilário. Continue Lendo “A noite da grande videocassetada de Rivellino”

Fascismo é bi e Leônidas se apresenta ao mundo

Em 1938 foi realizada na França a terceira Copa do Mundo, a segunda seguida em solo europeu. A Argentina se candidatara a organizar o torneio. A Alemanha — que sede das Olimpíadas de 36 — e a França também pleiteavam a organização.

Os argentinos contavam que o rodízio de continentes fosse mantido e se preparava pra festa. Porém, reunião do Comitê da FIFA na Alemanha, durante os Jogos Olímpicos, decidiu que a França seria a sede, em homenagem ao seu idealizador, Jules Rimet.

Contrariados, os países das Américas fecharam com a Argentina e decidiram boicotar o evento. Brasil e Cuba furaram o protesto. Junto com as Ilhas Holandesas (atual Indonésia), foram os únicos países não-europeus a disputar o torneio. Continue Lendo “Fascismo é bi e Leônidas se apresenta ao mundo”

Breve viagem no tempo

memorias_brasil_uruguaiO tempo vai passando e vamos empilhando nossas lembranças. Muitas vezes nem lembramos que estão ali, quietinhas nas prateleiras da memória, esperando o momento em que poderão tirar a poeira e dar uma voltinha novamente por nossos corações.

Há muito eu havia me divorciado da Seleção Brasileira. Pelo futebol pobre, pelas pessoas envolvidas, pelos jogadores. Não existia mais a menor conexão com aqueles caras de camisa amarela que não expressavam o menor constrangimento diante dos fiascos que protagonizavam no campo.

Ontem, dia de jogo do Brasil no Centenário, em Montevidéu, muitas lembranças minhas deram, não um passeio, mas correram uma verdadeira maratona. A expectativa de assistir a uma partida especial que pensava não sentiria mais em se tratando de Brasil me reconectou com minha história.

Lembranças do tempo de menino de nove anos assistindo sua primeira Copa do Mundo, em preto e branco, numa época em que o futebol dava cores para todas as coisas. O jogo de bola na rua, as linhas do campo desenhadas no asfalto com tijolo. No corpo pequeno, a camisa 7 da Seleção, daquelas com o número e o escudo comprados à parte e costurados no tecido. A 7 do Jairzinho, o Furacão da Copa. Camisa que usei tanto até ela se desfazer em esgarçados fiapos.

No jogo, tudo o que eu imaginava aconteceu. Um palco histórico lotado com uma torcida apaixonada e verdadeira. No campo duas camisas com muito peso. O Uruguai com muito pouca técnica mas com sua garra e vontade sensacionais contra uma equipe talentosa, muito segura e ciente de seu poder. Após um susto inicial, uma verdadeira aula de futebol do Brasil.

Depois do jogo, ainda não refeito totalmente de minha breve viagem no tempo, me perguntava como permitimos que nos tomem aquilo que nos é mais caro e seguimos vivendo, como se fosse normal. Como deixamos que uma de nossas maiores alegrias, a Seleção, se tornasse moeda de negócios nefastos de uma quadrilha, dando carta branca pra nos ignorar?

Se o futebol reflete a vida, muita atenção pra não passar procuração a terceiros pra viver por nós. Alto risco de se decepcionar ao acessar as prateleiras da memória.