A futebol acabou. Viva o futebol

Ronaldinho no atabaque. O que restou ao Brasil no encerramento da Copa 2018 (Foto Damir Sagolj/Reuters)

A Copa do Mundo na Rússia terminou, o Brasil ficou pelo meio do caminho e já estamos vivendo novamente nossos torneios nacionais. Muita falação sobre a atuação da Seleção, sobre a convocação do Tite e o teatro do Neymar. Muito jornalista tentando explicar tudo isso e pedindo a permanência do técnico para a próxima Copa. Continue Lendo “A futebol acabou. Viva o futebol”

A Copa do Mundo em cartaz

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Este ano tem Copa do Mundo. Faz tempo que não me empolgo mais com isso. E nesse futebol cada vez mais globalizado, com times compostos por verdadeiras legiões estrangeiras, acho incrivelmente anacrônica a copa de seleções. Já passou da hora de se pensar em um verdadeiro campeonato mundial de clubes. A identidade e força deles, hoje, é maior que dos times nacionais.

Mas minha paixão pelo lado visual e gráfico da Copa nunca diminuiu. Adoro os cartazes oficiais, ver como foi sendo representada a mudança do futebol ao longo dos anos. E para mim, os antigos designers continuam ganhando por goleada. Seus trabalhos são muito mais interessantes que os recentes.

O cartaz oficial de 2018 traz um dos maiores nomes da História do futebol, o goleiro russo Yashin, conhecido como Aranha Negra. Lembra um pouco o cartaz da Copa de 1930, no Uruguai. Não sei se foi proposital. Acho a homenagem ao Yashin muito legal, mas graficamente o trabalho não causa nenhuma surpresa. Meio como o futebol atualmente. Resta torcer pra quando a bola rolar, que as coisas mudem.

Abaixo a galeria dos cartazes de todas as Copas, na ordem cronológica.

Finais de Copas do Mundo no detalhe

Um olhar muito particular do um momento decisivo em um acontecimento que o mundo pára pra assistir. Finais de Copas do Mundo em pequenos infográficos criados pelo artista André Findusi. Pôsteres que eu adoraria ter feito. Vi no Café Sem Pó. Vai lá e veja todos.

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Final da Copa de 94. Perfeito.

Vencer ou morrer, a pátria no bico das chuteiras

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Ilustração faz referência à mensagem de estímulo de Mussolini para a seleção italiana

Já escrevi aqui sobre o uso político do futebol por parte de governos e políticos ao longo da História, sobretudo por regimes autoritários. Na Copa do Mundo de 1938, na França, a Itália chegou à final contra a Hungria, com a chance de se tornar bicampeã (vencera o torneio em casa quatro anos antes). Continue Lendo “Vencer ou morrer, a pátria no bico das chuteiras”

Quem disse que não teve Mundial em 1942?

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Em 1942 a Europa se encontrava em meio ao maior conflito armado conhecido até então. Neste cenário, era impensável a realização de uma Copa do Mundo de futebol, cuja última edição havia sido vencida pela Itália, em campos franceses, no ano de 1938, pouco antes de explodir a guerra.

Porém, reza a lenda que no ano de 1942 aconteceu um Mundial de Seleções de futebol, não reconhecido oficialmente pela FIFA. Teria sido jogado na Patagônia, extremo sul da Argentina, bancado por um certo Conde Otz, tido por muitos como meio louco. Diante da recusa das Federações dos países e da própria FIFA em participarem, ele teria organizado o evento com equipes formadas por locais e trabalhadores que se encontravam na região naquela época, envolvidos com a construção de uma barragem.

Havia gente de diversos países. Engenheiros alemães, trabalhadores poloneses, italianos, intelectuais franceses, guaranis veteranos  da Guerra do Chaco e até os Mapuches, povo  do Sul do Chile e Sudoeste da Argentina. Ao todo, 9 seleções teriam sido formadas para disputar a quarta edição do Campeonato Mundial de Futebol.

Esta história é contada em forma de documentário — ou, no caso, mockumentary (falso documentário) — no genial Il Mundial Dimenticato (“O Mundial Esquecido”), uma produção ítalo-argentina, aonde a fronteira da ficção e o documental se dilue em uma história deliciosa para quem curte futebol. Afinal, o que é o esse jogo senão um sonho vivido durante 90 minutos.

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Italianos perfilados. De chapéu de caubói, o trio de arbitragem. Filho do lendário Butch Cassidy,  procurado em diversos países, apitava com revólver na cintura

Pois em seus 90 minutos, o filme apresenta depoimentos de figuras conhecidas como Roberto Baggio, Linecker e até João Havelange (argh) junto a imagens de época que teriam sido encontradas na filmadora de Guillermo Sandrini, o cineasta oficial da Copa. Ela teria sido achada em um sítio arqueológico na Patagônia, ao lado de um esqueleto que seria o próprio Sandrini.

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Empate na finalíssima. Será que terminou assim?

O roteiro foi inspirado no livro O Filho de Butch Cassidy do escritor argentino Osvaldo Soriano, cujo tio teria jogado o Mundial. Realidade? Ficção? Com certeza, uma viagem aonde cada um que se aventurar trará seu próprio souvenir na volta.

O filme foi apresentado no Cinefoot em 2012. Havia uma versão integral no Youtube, mas foi retirada do ar. Vale uma busca pra conseguir uma sessão.