A vida passa como um jogo de futebol

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Futebol, paixão que nasce e morre com a gente. (Foto de Ed Viggiani)

Gosto de futebol desde sempre. Muito pequeno já chutava e corria atrás da bola. Nos aniversários, Natal, em qualquer data, lá vinha meu pai com uma bola de capotão pra mim debaixo do braço. Marrom, pequena (nº2 ou nº3), proporcional ao meu tamanho. Linda. Das suas mãos direto pro asfalto ou para algum dos muitos campos de várzea que havia no bairro. Minha mãe ficava incumbida de trazer sebo do açougue, ótimo para proteger o couro e garantir uma sobrevida pra gorduchinha. Continue Lendo “A vida passa como um jogo de futebol”

Em 66, o Rio-São Paulo teve quatro campeões

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Corinthians X São Paulo, Rio-São Paulo 1966. Torneio teve quatro campeões 

Outro dia escrevi aqui sobre o Campeonato Paulista de 1973, que acabou com dois times declarados campeões por conta de um erro do árbitro Armando Marques na contagem das cobranças de pênaltis.

Mas essa não foi a primeira vez que um torneio terminou com mais de uma equipe declarada campeã. Em 1966, o Rio-São Paulo chegou ao fim com quatro equipes empatadas e declaradas vencedoras. Quatro campeões para uma disputa que quase nem aconteceu. No começo do ano, um forte temporal no Rio matou muita gente e deixou inúmeros desabrigados, que foram alojados no Maracanã. Com o principal estádio interditado, chegou-se a cogitar o cancelamento do torneio, ideia derrubada pela CBD.

Além disso, quatro times excursionavam no exterior quando o torneio foi iniciado. Santos, Palmeiras, Vasco e Botafogo entraram com a disputa em andamento, tendo de fazer seguidas partidas em curto espaço de dias.

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Garrincha no Corinthians, a notícia do Torneio

Mas nem só de problemas vivia o Rio-São Paulo daquele 1966. O Corinthians apresentava Garrincha como a grande contratação para vencer o torneio e encerrar um jejum que ia para 12 anos sem títulos. No Botafogo, que perdera Mané, aparecia o jovem Jairzinho. O Santos apresentava o ponta-esquerda Edu, então com 16 anos.

Com tudo isso, o torneio seguiu e chegou à sua última rodada com o Vasco na liderança, seguido por Santos e Corinthians um ponto atrás e o Botafogo em terceiro, dois pontos atrás do líder. E por uma coincidência incrível, jogavam Santos contra Corinthians no Pacaembú e Botafogo contra Vasco no Maracanã. Uma combinação incrível desses resultados daria num empate quádruplo. E aconteceu.

Num Pacaembú lotado, o Corinthians jogou fora a oportunidade de encerrar seu jejum ao empatar com o Santos que teve dois expulsos ainda no primeiro tempo. Pra piorar, Flávio desperdiçou um pênalti cometido por Zito em Garrincha. Esse resultado dava ao Vasco a possibilidade de ser campeão com um empate diante do Botafogo. Mas os botafoguenses enfiaram 3 a 0 e determinaram um empate dos quatro times, todos com 11 pontos (as vitórias valiam 2 pontos).

Sem datas para um quadrangular de desempate, todos foram declarados campeões. Ninguém se importou, ninguém comemorou. Era ano de Copa do Mundo e as atenções já se voltavam para os preparativos (o Brasil era o então bi-campeão mundial).
Coincidência ou não, foi a última disputa do Rio-São Paulo, que durante quase duas décadas foi um dos mais importantes do país depois dos estaduais. A partir de 1967 clubes de outros estados foram convidados, iniciando a fase do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Nos anos 90 o torneio foi reeditado, mas sem charme e interesse, durou apenas algumas poucas edições.

Precursora da Libertadores, Copa do Atlântico não teve final

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A final nunca disputada. Na foto do jornal, lance do primeiro jogo do Corinthians, contra o Danúbio/URU, no Pacaembú (foto Reprodução/Arquivo Celso Unzelte)

Todo mundo já ouviu sobre o Campeonato Sul Americano de 1948, vencido pelo timaço do Vasco, e que foi o precursor da Libertadores. Porém, entre esses dois torneios, outra disputa continental aconteceu entre equipes da Argentina, Uruguai e Brasil, organizada pelas federações desses países – a Conmebol só passou a ser a responsável pela organização de torneios a partir dos anos 60, com a Libertadores. Continue Lendo “Precursora da Libertadores, Copa do Atlântico não teve final”

Em 74 teve meningite, política e (sempre) futebol

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Corinthianos comemoram. Mesmo com epidemia na cidade, 56 mil pessoas no estádio

Em 1973 São Paulo assumiu o lugar de Santiago do Chile para realizar os Jogos Pan-Americanos de 1975. Inicialmente escolhido para sediar o evento, o Chile abriu mão devido ao golpe militar sangrento em setembro de 1973. Continue Lendo “Em 74 teve meningite, política e (sempre) futebol”

Um Corinthians campeão em gramados suecos

Adoro ver vídeos antigos de futebol, não importam os times. Dá uma nostalgia de tempos não vividos e de um futebol que não existe mais. Achei esse sobre uma excursão do Corinthians em 1952, na Suécia e me lembrei de meu pai, que “batia cartão” no Pacaembú nessa época pra ver seu Corinthians. Num tempo em que se acompanhava o futebol pelos jornais impressos, provavelmente nunca viu essas cenas.