O lendário FlaFlu da Lagoa

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Pressão rubro negra num clássico que entrou para a História

Quando alguém fala em FlaFlu a gente logo imagina muita rivalidade e um grande jogo. Lembra também de Nelson Rodrigues, fanático tricolor, e seu irmão rubro negro Mario Filho. Coube a essa dupla imortalizar o clássico carioca. A começar pelo nome. FlaFlu foi o nome dado por Mario Filho para uma seleção carioca formada apenas por jogadores dos dois times para disputar o torneio de seleções estaduais organizado pela CBD. Continue Lendo “O lendário FlaFlu da Lagoa”

Atlético MG x Flamengo, 1981. Uma das maiores lambanças de arbitragem

Em 1981 o Flamengo conquistou sua primeira (e até agora) única Libertadores, ao bater o Cobreloa do Chile) por 2×0, em jogo desempate em Montevidéo (URU). Era um timaço com Zico, Andrade, Adílio e cia. Porém, na primeira fase caíram em um grupo que tinha outro time brasileiro, o Atlético Mineiro, de Reinaldo, Éder Aleixo, Palhinha, Chicão… outro timaço. Continue Lendo “Atlético MG x Flamengo, 1981. Uma das maiores lambanças de arbitragem”

Não há nada melhor do que vencer o Brasileirão

Pensando no Brasileirão desse ano, imagino como estaria empolgante a disputa pelo título se pelo menos o Grêmio se mantivesse empenhado em ganhar. O calendário do futebol coloca os clubes em uma situação difícil, tendo de decidir entre um e outro torneio. Continue Lendo “Não há nada melhor do que vencer o Brasileirão”

A Charanga e a alegria perdida do futebol brasileiro

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Os fundadores da Charanga, em 1942. A primeira torcida organizada do nosso futebol

Antes da barbárie tomar conta das arquibancadas transformando qualquer cidadão comum minimamente trajado com as cores de seu time um alvo em potencial, ir ao estádio pra torcer e curtir uma partida de futebol era uma experiência pra lá de prazeirosa. Uma das coisas que me lembro garoto nas tardes de Pacaembú levado por meu pai eram as bandinhas de música, também conhecidas por charangas, tocando o hino dos times ou marchinhas de carnaval durante toda a partida. Uma alegria inocente, ingênua, que foi deposta pelos bumbos e bombas das atuais Organizadas. Continue Lendo “A Charanga e a alegria perdida do futebol brasileiro”

Clube dos Treze, Copa União e Flamengo campeão

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1987. Troféus levantados no Rio e em Recife. Qual o campeão brasileiro daquele ano?

Depois da polêmica sobre a atitude honesta do zagueiro do São Paulo Rodrigo Caio eis que novamente vem aos holofotes a ridícula questão sobre quem deve ser declarado campeão brasileiro de 1987, Flamengo ou Sport. A coisa foi parar no Supremo Tribunal Federal, que, não tendo nada mais importante a julgar, dedicou seu tempo a analisar a querela e decidiu que o clube pernambucano é o campeão daquele ano.

Antes de emitir qualquer opinião, vamos a um pouquinho da História. Brasileiro não é muito afeito a isso, o que fica meio claro nas opiniões expressadas sobre esse caso, muito mais carregadas de clubismo do que lucidez.

jornal_noticia_cbf_1987Em 1987, os campeonatos estaduais ainda tinham um relevância, dividindo com o Brasileirão o calendário do futebol nacional. Naquele ano, a CBF anunciou que não tinha como organizar uma competição nacional devido a falta de verbas. A CBF estava quebrada. A partir daí, os 13 clubes mais bem ranqueados do país se organizaram e fundaram a União dos Grandes Clubes do Futebol Brasileiro, que ficou mais conhecida como Clube dos Treze. Elaboraram um campeonato que atraiu patrocínio e negociaram diretamente com a televisão os direitos de transmissão dos jogos, a Copa União.

A falta de critério técnico na escolha dos clubes a participarem da liga causou algumas injustiças. No ano anterior, o Guarani havia sido vice-campeão depois de uma final sensacional com o São Paulo. O América do Rio chegara às semifinais quando foi derrotado pelo São Paulo, que seria campeão. Esses times foram alijados da liga, por razões nunca esclarecidas.

Apesar disso, o torneio foi um sucesso técnico e financeiro, com uma média de público das maiores da história dos Nacionais. Diante disso, a CBF — aquela que estava quebrada — no meio da disputa criou um campeonato seu, que chamou de Módulo Amarelo, com 16 clubes, uma espécie de 2ª divisão. Nomeou a Copa União de Módulo Verde e decidiu que os campeões e vices de cada módulo se enfrentariam para definir o campeão daquele ano.

O Clube dos Treze anunciou que não reconhecia essa mudança e que não haveria disputa extra. Eurico Miranda foi escalado para ir à CBF e deixar claro a negativa. No entanto, acabou assinando o contrário. Foi desautorizado pelos demais componentes do Clube dos Treze, que reafirmaram a independência de seu torneio.

O resto todos já sabem. Para quem viveu aquele momento e acompanhou o campeonato, o Flamengo é o campeão brasileiro daquele ano. Nem mesmo a decisão em escolher o Sport e o Guarani como representantes nacionais na Libertadores alterou isso.

O que poderia ter acontecido era declarar os dois times campeões. Não seria nenhuma novidade. Em 1966, Corinthians, Santos, Botafogo e Vasco terminaram empatados o quadrangular final do Torneio Rio-São Paulo. Como não havia critério de desempate e nem espaço para novas partidas no calendário, ficou por isso mesmo. Em 1973, por um erro do juiz Armando Marques na contagem dos pênaltis da decisão entre Santos e Portuguesa provocou a divisão do título paulista entre as duas equipes.

A possibilidade da divisão do título em 1987 ocorreu, mas o Flamengo sempre recusou. Agora, 30 anos depois, foi decidido no Tribunal. E… nada. Continua tudo como sempre, o Flamengo se acha campeão e o Sport também.

É preciso atentar para a importância daquele momento. Anos antes de Premier League ou Bundesliga, os clubes brasileiros formavam uma liga independente da CBF, conseguiam criar um torneio rentável e bem elaborado, com transmissão nacional e parcerias financeiras. Porém, se mostraram incapazes de uma verdadeira união. Os interesses individuais e rixas particulares se sobrepuseram aos interesses coletivos.

No ano seguinte a CBF retomou o comando e o Clube dos Treze — inchado com mais sete representantes — se limitou a ser um negociador dos clubes nas questões de direitos de transmissão junto às emissoras de TV. Oportunidade histórica que escorreu pelo ralo.

Dois pontos negativos sobraram disso tudo. Depois de alijado da linha de frente do futebol nacional, o América se recusou a disputar o Módulo Amarelo da CBF. A partir daí desceu a ladeira regionalmente também, indo parar nos porões do futebol do Rio. Triste caminhada de uma das mais tradicionais equipes do Brasil.

E o que dizer do São Paulo, um dos mais engajados na criação do Clube dos Treze e que declarou à época o Flamengo o verdadeiro campeão. Mudou radicalmente de posição negando o título ao time carioca depois de ele, tricolor, conquistar seu quinto campeonato brasileiro. Tudo pra ficar com uma taça oferecida pela Caixa Econômica Federal à equipe que primeiro conquistasse 5 campeonatos alternados ou 3 seguidos. Com amigos assim, quem precisa de inimigos.

Vale lembrar que em 2000 a CBF novamente deixou de organizar o Campeonato Brasileiro, desta vez por conta de uma decisão da Justiça Comum, que obrigava a inclusão do Gama, de Brasília, na Primeira Divisão. Novamente o Clube dos Treze organizou o torneio, que se chamou João Havelange, e terminou com o Vasco campeão e o surpreendente São Caetano em segundo lugar. Contou com 116 times e não teve acesso nem descenso.

Mas isso já fica prum outro post. Veja abaixo um pouquinho da decisão no Maracanã entre Flamengo e Inter.