O ritmo de chumbo do Divino

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O poeta e o craque. Uma ode a Ademir da Guia, o Divino

Poesia e futebol sempre dá uma tabelinha encantadora. Quem viu Ademir da Guia jogar não tem a menor dúvida de ter presenciado uma das maiores jóias da história do futebol. E só uma jóia desse quilate pra inspirar o grande poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999), poeta pernambucano que chegou a jogar e ser campeão no juvenil do Santa Cruz. Ele escreveu alguns poemas sobre futebol e Ademir da Guia é um deles, publicado no livro Museu de Tudo, de 1975. Continue Lendo “O ritmo de chumbo do Divino”

Vinicius de Moraes e O Anjo das Pernas Tortas

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Garrincha avança observado pelo seu marcador sentado no chão. Cena corriqueira nos jogos do Botafogo e da Seleção

A ginga e os dribles de Garrincha inspiraram o mestre Vinicius de Moraes, que em 1962 descreveu assim o bailado de Mané.

“A Flávio Porto

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés – um pé-de-vento!

Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: – Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um 1. É pura dança!”

Valentia*

 

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*por Teresa Catarino | foto Francisco Milhorança

“Várzea grande e imaculada
Encharcada de sal,  terra e gotas de suor
Choro frequente  e sem lamúrias
Que seja inteiro (não ouso ouvir) aquele  grito de gol Continue Lendo “Valentia*”